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Descrição gerada automaticamente com confiança médiaFamília Ferramosca e Fieramosca no Brasil

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História da Família

Depois de anos de pesquisa, não podemos mais falar de apenas uma família no Brasil, mas sim de pelos menos 7 famílias distintas, descendentes de imigrantes italianos de sobrenomes Ferramosca e Fieramosca, e que hoje vivem em quase todos os estados brasileiros. Por este motivo, a história de cada uma delas famílias será contada aqui neste espaço, baseadas em documentos, entrevistas e, portanto, em constante processo de atualização. As contribuições são sempre bem-vindas. Leia a história de cada uma delas clicando no título abaixo:

1. Os irmãos Massimiliano e Alessandro Ferramosca

2. Luigia Ferramosca e a família Cocciadiferro no Brasil

3. Maria Ferramosca e a família Modena no Brasil

4. Eugenio Fieramosca

5. Os irmãos Francesco e Giovanni Fieramosca

6. As irmãs Luigia e Felicia Fieramosca, e as famílias Pescuma e Lotumolo no Brasil

7. Carmelo Fieramosca

 

1. Os irmãos Massimiliano e Alessandro Ferramosca

Esta é a história da minha família, cuja trajetória exata dos primeiros imigrantes não está muito bem esclarecida, até mesmo porque toda a 1ª geração nascida aqui no Brasil já faleceu, tornando quase impossível resgatar os detalhes dessa trajetória.

Nossa história começa na Itália do século XVIII, no comune (=cidade) de San Pietro in Gu. De acordo com a divisão política da época, a cidade pertencia ainda à Província de Vicenza, Departamento de Bacchiglione, Distrito de Camisano. Somente no ano de 1853 a cidade foi agregada à Província de Padova (ou Pádua), atual região de Vêneto. As subdivisões (departamentos e distritos) deixaram então de existir na Itália.

Por esse motivo, podemos dizer que nossa família é originalmente proveniente da Província de Vicenza e não de Padova, como eu pensava anteriormente. A partir do conhecimento da divisão política desta região no século XVIII, compreendemos que naquela época a cidade de San Pietro in Gu tinha seus costumes e suas relações mais estreitas com Vicenza. Por este motivo também encontramos os antigos registros arquivados junto à Diocese de Vicenza e não de Padova.

As cidades daquela região são muito próximas umas das outras, cerca de 7 a 15 km de distância, e as famílias costumavam se mudar constantemente de uma para outra.

Mapa atual da região de Vicenza e Padova
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Em San Pietro in Gu identificamos nosso ancestral mais antigo. Seu nome é Bortolamio Ferramosca, nascido provavelmente por volta do ano 1720-25. Ainda não sabemos qual o nome de sua esposa, mas sabemos que ele teve um filho chamado Giovanni Battista Ferramosca.

Nos registros paroquiais encontramos mais comumente o nome Bortolamio na forma abreviada Bortolo, enquanto Giovanni Battista é mais encontrado como Gio Batta e mais raramente Batta, Battista ou Giambatista.

Este Giovanni Battista é o primeiro de 4 gerações sucessivas de filhos batizados com o mesmo nome. Ele se casou com Lucia Gallassin e tiveram pelo menos três filhos, entre eles Giovanni Battista Ferramosca (nascido em 1777, San Pietro in Gu), Bortolo e Santa.

Este segundo Giovanni Battista casou-se com Pasqua Zaccaria e tiveram vários filhos, entre eles Giovanni Battista Ferramosca (nascido em 1804, San Pietro in Gu), Giovanni, Angela e Bortolo.

Este terceiro Giovanni Battista casou-se em 1828 com Rosa Cappellari e tiveram vários filhos, entre eles Giovanni Battista Ferramosca (nascido em 1829, San Pietro in Gu), Antonio, Catterina, Angela, Margherita e Angelo.

Este quarto Giovanni Battista Ferramosca casou-se em 1857, em San Pietro in Gu, com Catterina Menin. Após o casamento eles se mudaram para várias localidades próximas a San Pietro in Gu, vindo a falecer em 1870, Pozzoleone (Vicenza), com apenas 41 anos, deixando pelo menos quatro filhos, batizados na igreja como: Rosa Vittoria Ferramosca, Giuseppe Ferramosca, Massimiliano Luigi Ferramosca e Alessandro Angelo Ferramosca. Os três últimos vieram para o Brasil e são os grandes protagonistas da nossa história.

Giuseppe, o primogênito, nasceu por volta do ano de 1858 e não deixou descendentes. Pelas investigações, tudo leva a crer que era um mutilado de guerra.

Rosa Vittoria, a segunda filha, nasceu no distrito de Gaianigo, comune de Gazzo (Padova), no dia 7 de abril de 1860. Ela viveu, casou e morreu na Itália. Casou em Quinto Vicentino (Vicenza) no ano de 1885 com Giuseppe Luccon e teve apenas uma filha chamada Maria Luigia Lucon, nascida em Quinto no ano de 1886. Maria Luigia casou-se em Villaverla (Vicenza) no ano de 1906, com Antonio Pianalto, onde tiveram pelo menos dois filhos: Giuseppe Pianalto (1909) e Aldo Pianalto (ano desconhecido). Giuseppe casou-se em 1934, Dueville, com Lucia Meneghello. Sobre o Aldo ainda não temos informações. Rosa Vittoria Ferramosca e Giuseppe Luccon faleceram em Villaverla, respectivamente nos anos de 1931 e 1942.

Massimiliano nasceu no distrito de Sarmego, comune de Grumolo Delle Abadesse (Vicenza), no dia 5 de janeiro de 1867 e casou-se em Quinto Vicentino (Vicenza) em 1893, com Giuseppina Frigo. Sua primeira filha, Maria Ferramosca, nasceu no dia 6 de setembro de 1894, em Quinto Vicentino.

Alessandro nasceu no distrito de Marola, comune de Torri di Quartesolo (Vicenza), no dia 13 de setembro de 1869 e casou-se em Vicenza (capital) em 1894, com Giuseppina Luigia Ceron. No dia 6 de setembro de 1895, em Quinto Vicentino, Giuseppina deu a luz ao primeiro filho, que recebeu o mesmo nome do avô, Giovanni Battista Ferramosca.

O topo da nossa árvore genealógica é mais ou menos assim (para mais detalhes acesse o menu “Árvore Genealógica”). As pessoas destacadas em vermelho vieram para o Brasil:

Bortolamio Ferramosca

Giovanni Battista Ferramosca = Lucia Gallassin

Giovanni Battista Ferramosca = Pasqua Zaccaria

Giovanni Battista Ferramosca = Rosa Cappellari

Giovanni Battista Ferramosca = Catterina Menin

Giuseppe Ferramosca

Rosa Vittoria Ferramosca = Giuseppe Luccon

Maria Luigia Lucon

Massimiliano Luigi Ferramosca = Giuseppina Frigo

Maria Ferramosca

Alessandro Angelo Ferramosca = Giuseppina Luigia Ceron

Giovanni Battista Ferramosca

Antonio Ferramosca = Anna Maria Carta

Vittorio Ferramosca = Catterina Negrin

Anna Emma Ferramosca (nascida no Brasil)

Gino Ferramosca (nascido no Brasil)

Havia uma expectativa de que Luigia Ferramosca fosse outra filha de Giovanni Battista, porém as pesquisas revelaram que tudo não passou de uma grande coincidência e que ela pertence a outra família.

Durante as pesquisas descobrimos o registro de uma Luigia Fieramosca na Hospedaria de Imigrantes, com as seguintes anotações: 20 anos, solteira, desembarque em Santos no dia 03/02/1902, vapor Minas, destino Tambaú, coincidentemente o mesmo município onde os irmãos Alessandro e Massimiliano moravam em 1902.

Na lista de bordo do vapor Minas está anotado que ela era agregada à família 48 do vapor Rio Amazonas de 01/01/1902 em qual vapor não pode embarcar porque chegou em Gênova quando o vapor já havia partido. Algo aconteceu no caminho que a fez perder o navio.

Ao pesquisar a lista de bordo do vapor Rio Amazonas, consta na linha 48 Bonifácio Falconieri e família, entre eles a Luigia, cujo nome foi riscado da lista porque não embarcou no navio.

Enfim, somente em janeiro de 2018 finalmente descobrimos o paradeiro da misteriosa Luigia. Ela se casou com Carmine Cocciadiferro, que também estava a bordo do navio Minas e ambos foram para Tambaú.

Tempos depois, entusiasmados com as melhores condições de vida e trabalho que o Brasil oferecia, a família Ferramosca decidiu mudar-se para nosso país. Partiram então de Quinto Vicentino em um trem até o Porto de Gênova, onde atravessaram o Atlântico em um navio a vapor, numa viagem que durou 26 dias. Naquela época, com o declínio da mão-de-obra escrava, o Brasil já vinha incentivando e recebendo milhares de imigrantes europeus (italianos, portugueses, espanhóis, alemães e outros) para trabalhar na lavoura cafeeira.

O vapor "San Gottardo" partiu no dia 7 de dezembro de 1895 e desembarcou no Porto de Santos, São Paulo, no dia 3 de janeiro de 1896, trazendo nossos queridos pioneiros. A composição da família era a seguinte:

- Catterina Menin, viúva, mãe de Giuseppe, Massimiliano e Alessandro

- Giuseppe Ferramosca, solteiro

- Massimiliano Ferramosca, sua esposa Giuseppina Frigo e sua filha Maria Ferramosca

- Alessandro Ferramosca, sua esposa Giuseppina Luigia Ceron e seu filho Giovanni Battista Ferramosca

Lista de Bordo do vapor San Gottardo com a composição da família
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Livro de Registro da antiga Hospedaria de Imigrantes
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Outra curiosidade sobre nossa história é que Alessandro e Massimiliano não foram exatamente os primeiros da família a virem para o Brasil. Na verdade, dois anos antes, um primo deles veio primeiro para o Brasil.

Vittorio Ferramosca nasceu em 1866, no comum de Monticello Conte Otto, Vicenza. O pai dele, Antonio Ferramosca, era irmão do Giovanni Battista Ferramosca, pai do Alessandro e Massimiliano, portanto eles eram primos. Vittorio se casou na Itália com Catterina Negrin e vieram para o Brasil dois anos antes dos nossos patriarcas. O registro do seu desembarque está disponível no menu “Documentos e Certidões”.

Mas sua passagem pelo Brasil foi muito breve. Vittorio Ferramosca e Catterina Negrin desembarcaram no Rio de Janeiro, em janeiro de 1894, e foram para Minas Gerais, conforme está registrado na antiga Hospedaria de Imigrantes Horta Barbosa, em Juiz de Fora.

Em 1896 tiveram uma filha aqui no Brasil, chamada Anna Emma Ferramosca, nascida em Rio Novo-MG. No ano de 1897 tiveram mais um filho, chamado Gino Ferramosca, nascido em Santa Bárbara-MG. Logo em seguida retornaram para a Itália, onde registramos em 1899 o nascimento do terceiro filho Umberto Ferramosca em Gazzo, Padova.

Dando continuidade a história dos nossos protagonistas, no Brasil seus nomes e sobrenomes aparecem nos documentos com inúmeras variações, aportuguesados ou influenciados pelo sotaque como:

- Alessandro = Alexandre

- Massimiliano = Maximiliano, Maximiano

- Giuseppina = Giuzepina, Josephina, Josefina, Joseffina, Jozefina

- Giovanni Battista = Gio Batta, João Baptista, João

- Ferramosca = Fieramosca, Fioramosca, Feramosca, Fiaramosca, Ferramosque, Ferramosche, Ferramosgue, Ferramoschi, Ferranosco, Fermusca, Feramusca e outros

- Ceron = Cero, Cherão, Cerão, Cerone, Ceram, Ciarom, Charon, Cerogine, Ceroni, Ceronia, Cezim, Ceso, Serron, Serrão, Serra e outros

- Frigo = Friggo, Frighi, Trigo

Apesar das diferentes grafias, todos os descendentes do Alessandro mantiveram o sobrenome Ferramosca, enquanto alguns descendentes do Massimiliano foram registrados com os sobrenomes Fieramosca e Fioramosca.

Durante 15 anos, as famílias seguiram unidas no interior de São Paulo, vivendo sempre na mesma região ou fazenda, segundo informações contidas nos registros de nascimento de seus filhos que nasceram no Brasil.

Apesar da lista de bordo do navio constar que o primeiro destino da família foi o município de Jaú, até o momento esta informação não foi confirmada. A partir do ano seguinte surgem os primeiros registros de nascimento na "Fazenda Brejão". A fazenda pertencia ao município de Casa Branca, mas foram todos registrados em São José do Rio Pardo: Brida Catharina Ferramosca (1897), Catharina Ferramosca (1899) e José Ferramosca (1901), filhos do Massimiliano; e Luisa Ferramosca (1898) e Rosa Ferramosca (1900), filhas do Alessandro.

Atualmente as duas Rosas (filhas de Alessandro e de Massimiliano), Catharina e José são conhecidos carinhosamente pelos sobrinhos como tia Rosina, tia Ninella e tio Bepe.

O registro de Luisa, filha de Alessandro, foi descoberto recentemente durante as pesquisas. Ela morreu precocemente em 1906, aos 8 anos de idade, vítima de difteria.

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O destino seguinte da família foi o município de Tambaú, onde nasceu Arminia Ferramosca em 1903, quarta filha de Alessandro, quando era residente na fazenda São José da Bella Vista, do Sr. Antonio Lapa.

Arminia, assim como a Luisa, também foi descoberta recentemente e morreu precocemente em 1905, com menos de 2 anos. Anos depois, Alessandro batizou outra filha com o nome de Luigia Erminia, em homenagem as suas irmãzinhas que faleceram ainda crianças.

Nesta mesma fazenda também nasceram Antonio Ferramosca (1904), Rosa Ferramosca (1905) e Felicia Ferramosca (1907), três filhos do Massimiliano; e Antonio Ferramosca (1906) e Victorio Ferramosca (1908), mais dois filhos do Alessandro.

O registro de Antonio (filho de Massimiliano) também foi descoberto durante as pesquisas. Ninguém da família sabia de sua existência, pois todos acreditavam que José era o único filho homem de Massimiliano. Antonio faleceu 7 dias depois por morte natural, por isso ninguém o conheceu.

No final do ano de 1909, por motivo ainda desconhecido, Alessandro, Giuseppina (provavelmente gestante) e seus filhos Giovanni, Rosa, Antonio e Victorio foram para a Itália, onde residiram por 10 meses no comune de Dueville, província de Vicenza. No dia 5 de outubro de 1910, o navio "Rio Amazonas" desembarca no Porto de Santos, trazendo novamente a família e a mais nova rebenta, Luigia Erminia Ferramosca, com apenas 4 meses de idade, nascida na Itália durante esta curta viagem.

Luigia Erminia (Luiza no Brasil) foi batizada com este nome em homenagem as suas irmãs (Luisa e Arminia) que morreram ainda crianças no Brasil. Outra curiosidade é que, inexplicavelmente, na lista de bordo do navio e na matrícula da hospedaria dos imigrantes não aparece o nome Luigia Erminia, mas sim o nome Francesco.

Lista de Bordo do vapor Amazonas com a composição da família
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Livro de Registro da antiga Hospedaria de Imigrantes
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Após o desembarque, o novo destino foi o município de Cravinhos, fazenda do Sr. Joaquim da Cunha Bueno, onde provavelmente Massimiliano e sua família já residiam.

Luiz Giacomini, filho da Maria Ferramosca, relata uma história de sua mãe em 1910. Ela felizmente perdeu um trem que ia para Cravinhos, pois ele colidiu com outro trem e morreram muitos passageiros no desastre.

A partir de 1910, tudo indica que os irmãos seguiram caminhos diferentes. Alessandro retornou à Tambaú, enquanto Massimiliano se mudou para o distrito de Villa Bonfim (atual Bonfim Paulista), município de Ribeirão Preto, levando sua mãe Catterina Menin e seu irmão mais velho Giuseppe.

Toda essa região de São José do Rio Pardo, Tambaú, Cravinhos, Villa Bonfim (atual Bonfim Paulista), Ribeirão Preto, Brodowski e Jardinópolis, era conhecida por Mogiana, pois era cortada pela estrada de ferro que pertencia à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.

 

1.1 Trajetória da família de Alessandro Ferramosca

Alessandro ficou pouco tempo em Cravinhos e logo retornou à Tambaú, onde teve mais dois filhos: Guido Ferramosca (1912), nascido na fazenda de Antonio Lapa, mesmo lugar onde moravam antes da viagem para a Itália, e Itália Maria Ferramosca (1916), nascida na fazenda São José da Serra.

Em 1917 Giovanni Battista (João no Brasil), o primogênito de Alessandro, casou-se com a italiana Lucia Felici, ainda no município de Tambaú. Após o casamento, a família toda se mudou para a região de Bebedouro.

Entre 1918 e 1928 trabalharam em algumas fazendas lembradas pelos nomes de “Fazendinha” e “Fazenda Aparecida”. Esta região de Bebedouro era conhecida como “Andes” (nome de uma Estação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro), onde atualmente existe um povoado de mesmo nome.

As estações ferroviárias e as companhias de estradas de ferro eram comumente utilizadas na época como referência dos locais onde viviam.

Por volta de 1929 a família foi para a região de Cajobi, passando a trabalhar na famosa "Fazenda Palmeiras" dos irmãos Rômulo e Luis de Giuli, localizada na região de Monte Verde, Marcondésia e Severínia.

Monte Verde era uma estação ferroviária que passava a 4 km de Cajobi; Marcondésia era distrito pertencente à Cajobi, posteriormente anexado em 1938 ao município de Monte Azul; e Severínia era um distrito pertencente à Olímpia, mas distante somente 4 km da Estação de Monte Verde.

Todos os demais filhos de Alessandro e Giuseppina casaram-se nessa região. Rosa casou-se com José Amaro Simplício dos Santos em Bebedouro (1921); Antonio casou-se com Assumpta Dezani em Cajobi (1931); Victorio casou-se com Pia Julia Lombardi em Cajobi (1931); Luiza casou-se com Mario de Giuli, em Cajobi (1930); Guido casou-se com Rosa Maria Menone em Severínia (1934); e Itália casou-se com Américo Menone em Severínia (1934).

No dia 13 de março de 1932, vivendo na fazenda Palmeiras, veio a falecer tristemente nosso ilustre imigrante italiano Alessandro Ferramosca, vitimado por um câncer no fígado.

Dois anos depois a família se mudou para o antigo povoado de Jacri, para tomar posse das terras repartidas pelos fazendeiros, como forma de pagamento pela colheita após a crise do café de 1930. Partiram de Cajobi a viúva Giuseppina, seus filhos e alguns netos, com exceção da filha Rosa, pois esta ficara na região e, aparentemente, nunca mais reencontrou sua mãe e irmãos.

Naquela época, Jacri era um pequeno povoado, transformado em distrito em 1937 e anexado ao município de Birigui. Em 1938 denomina-se distrito de Iacri e é anexado ao município de Tupã. A emancipação de Iacri efetivou-se somente em 1959.

Giuseppina Luigia Ceron, viúva de Alessandro, veio a falecer no ano de 1948, em Iacri. Todos os seus filhos também já faleceram - João (1959), Luisa (1906), Rosa (1968), Arminia (1905), Antonio (1983), Victorio (1985), Luigia Erminia (1991), Guido (1965) e Itália (1993) -, inclusive seus esposos e esposas.

Atualmente a maioria dos descendentes de Alessandro Ferramosca vive no Estado de São Paulo. Os descendentes de Giovanni Battista (João) vivem em São Paulo (Tupã, Iacri, Jundiaí, Francisco Morato, Santos e capital), Mato Grosso (Cuiabá) e Acre (Rio Branco); de Rosa vivem em São Paulo (Olímpia, Bebedouro, Taquaral e capital); de Antonio vivem em São Paulo (Santa Bárbara D'Oeste e capital); de Victorio em São Paulo (São Bernardo do Campo, Suzano e capital); de Luiza em São Paulo (Iacri); de Guido em São Paulo (Bastos, Flórida Paulista, Monte Aprazível e Presidente Prudente) e Mato Grosso (Tangará da Serra); e de Itália em São Paulo (Tupã e capital).

 

1.2. Trajetória da família de Massimiliano Ferramosca

No distrito de Villa Bonfim (atual distrito de Bonfim Paulista, município de Ribeirão Preto) encontramos o registro de casamento de Maria (a primogênita de Massimiliano) com Angelo Giacomini no ano de 1912 e da segunda filha, Brida Catharina, casada em 1916 com Fioravante Cipollone.

Em 1917 Massimiliano mudou-se para Brodosqui (atual Brodowski), passando a residir na “Fazenda Sapé”. Esta fazenda também fica próxima do distrito de Sarandy (atual distrito de Jurucê, município de Jardinópolis). Nesta época sua filha Maria morava numa outra fazenda vizinha chamada “Santa Maria”.

Neste mesmo ano de 1917, em Brodowski, veio a falecer Giuseppe Ferramosca, o filho mais velho aos 60 anos de idade. No ano seguinte faleceu nossa matriarca Catterina Menin com incríveis 87 anos de idade.

Todos os demais filhos de Massimiliano e Giuseppina casaram-se no distrito de Sarandy. Catharina casou-se com o italiano Giuseppe Culetto (1920); Rosa casou-se com Dante Begui (1924); e José casou-se com Alzira Bozza (1925).

Apesar da distância, as famílias de Alessandro e Massimiliano ainda mantiveram contato, pois meu nonno se recorda que, quando morava em Iacri, seu pai João Ferramosca visitou parentes em Ribeirão Preto.

Anos depois Massimiliano e seus filhos, já casados, mudaram-se para a região de Assis, exceto Brida, que ficara na região de Ribeirão Preto. Brida Catharina e sua família mudaram várias vezes e, aparentemente, nunca mais reencontrou seus pais e irmãos. Ela residiu no distrito da Barra (em Brodowski), Ribeirão Preto, Catupiry (atual Catiguá), Uchôa, distrito de Duplo Céu (atual Palestina), distrito de Veadinho do Porto (atual Riolândia) e, por último, São Paulo.

Rosa foi a primeira a deixar a região da Mogiana e se mudar para a Sorocabana, região conhecida por este nome porque era cortada pela Estrada de Ferro Sorocabana. Ela se mudou em 1925 para um lugarejo chamado “Água da Aldeia”, próximo à Vila Lex. Em 1927 Vila Lex elevou-se para distrito de Tarumã, pertencente na época ao município de Assis.

Três anos depois, em 1928, José mudou-se também para a “Água da Aldeia”, trazendo consigo seus pais Massimiliano e Giuseppina, já idosos, onde passaram a morar e trabalhar na “Fazenda Novo Destino”, do Sr. José Júlio.

Um ano depois, em 1929, vieram Maria e Catharina para esta mesma região. Catharina passou a morar também na “Fazenda Novo Destino”, enquanto Maria, de passagem por ali, ficou uns 2 dias na fazenda e logo se mudou com sua família para a “Fazenda Graciema”, na “Água da Pinguela”, município de Candido Mota.

Constantina Giacomini (a Santina), filha da Maria Ferramosca, recorda-se que quando era criança sua mãe ia trabalhar e deixava ela e seus irmãos na casa dos avós Massimiliano e Giuseppina. Eles eram muito bonzinhos.

No ano de 1935 veio a falecer tristemente Massimiliano Ferramosca. De acordo com relatos, ele também tinha a fama de beber muito. Um dia foi à Vila Lex (Tarumã), mas ao retornar para a Fazenda Novo Destino, caiu embriagado ao atravessar uma pinguela. Passou quase a noite toda caído no rio, com os pés dentro d’água. Seu filho José chamou o médico porque ele ficou muito doente, mas infelizmente dias depois não resistiu e faleceu.

Um ano antes, em 1934, José havia comprado terras no Estado do Paraná, no recém-fundado município de Londrina. Por volta de 1938 José então se mudou com sua mãe Giuseppina, esposa, filhos, sogra e cunhados para a cidade de Londrina.

Maria se mudou também para o Paraná em 1936, morando primeiro em um sítio no distrito de Nova Dantzig (atual Cambé), município de Londrina. Anos depois residiu também com seus filhos em Apucarana e Nova Esperança.

Catharina permaneceu na “Água da Aldeia”, região de Tarumã. Rosa morou na “Água do Fogo”, “Água do Macuco”, “Barranco Vermelho”, todos no município de Candido Mota. Em 1954 Rosa mudou-se também para o Estado do Paraná, morando na “Fazenda Turiba”, no antigo “Patrimônio dos Cinco” (atual Distrito do Panema, município de Santa Mariana) onde tocaram por 6 anos uma empreitada de café. Em 1957 compraram terras no distrito de Ubiratã (município de Campo Mourão), para onde se mudaram em 1960.

Apesar da distância, alguns filhos de Alessandro e Massimiliano ainda mantiveram contato. João Ferramosca chegou a receber em Iacri-SP a visita de sua prima Maria Ferramosca, vinda do Paraná.

Giuseppina Frigo, esposa do finado Massimiliano, veio a falecer em Londrina no ano de 1946, com 78 anos, quando vivia com seu filho José. Todos os filhos de Massimiliano Ferramosca e Giuseppina Frigo, inclusive seus cônjuges, são falecidos - Maria (1965), Brida (1981), Catharina (1987), José (1993), Antonio (1904), Rosa (1999) e Felicia (1994).

Atualmente, os descendentes de José residem no Paraná (Londrina e Curitiba), Minas Gerais (Belo Horizonte), Estados Unidos e Portugal; Maria possui descendentes em São Paulo (capital), Paraná (Curitiba, Londrina, Maringá, Apucarana, Cambé, Nova Esperança, Atalaia, Altônia, Cianorte, Douradina e Foz do Iguaçu), Mato Grosso (Rondonópolis), Rondônia, Estados Unidos e Itália; Brida tem descendentes em São Paulo (capital, Fernandópolis, Mairiporã e Atibaia) e também na Itália; Rosa tem descendentes no Paraná (Ubiratã, Cascavel, Cornélio Procópio, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu e Curitiba) e São Paulo (Barretos); os descendentes de Catharina vivem em São Paulo (Assis, Ourinhos, Candido Mota e capital); e Felicia não deixou descendentes.

 

2. Luigia Ferramosca e a família Cocciadiferro no Brasil

Luigia Ferramosca nasceu no dia 13 de julho de 1881, no comune de Catignano, província de Pescara, Itália. De acordo com seu registro de nascimento, Luigia foi mais um daqueles tristes casos de abandono ao nascer, fato comum naquela época. As autoridades então lhe impuseram o nome “Luigia” e o sobrenome “Ferramosca”.

Veja este artigo interessante sobre a “ruota dei proietti” e o registro de crianças abandonadas na Itália: https://diariodacidadaniaitaliana.com/2020/09/16/registros-antigos-de-criancas-abandonadas/.

Luigia tem uma história bastante curiosa e romântica. Seu registro de entrada no Brasil é um pouco confuso. Consta que ela era agregada a uma família que estava em outro navio, porém não chegou a tempo de embarcar e perdeu o navio. Esse mistério só foi desvendado graças a sua neta Cristina, que registrou a história da sua avó Luigia em um caderninho de anotações.

Temos conhecimento que Luigia Ferramosca vivia no comune de Catignano, onde fora adotada por Bonifacio Falconieri e Anna Antonia di Zio. Em algum momento ela veio a conhecer Carmine Cocciadiferro, seu futuro esposo, que vivia no comune de Pescara, distante 30 km de Catignano. Luigia e Carmine se apaixonaram muito jovens, porém os pais do Carmine não aceitavam muito bem esse relacionamento.

Os pais da Luigia foram os primeiros a vir para o Brasil. Bonifácio Falconieri, sua esposa Anna Antonia Di Zio e os filhos partiram da Itália a bordo do vapor Rio Amazonas no dia 1º de janeiro de 1902 e chegaram no Brasil no dia 22 de janeiro. Esta viagem durou 21 dias e, ao desembarcarem em Santos, SP, a família Falconieri passou pela Hospedaria de Imigrantes, onde consta que seu destino foi a Estação Ferroviária Aurora, situada no município de Descalvado, SP, fazenda do Coronel Figueiredo.

Curiosamente, a lista de bordo do navio contém os nomes de todos os integrantes da família Falconieri, inclusive o nome da Luigia, porém esta não havia embarcado no navio.

Dias depois encontramos Luigia a bordo de outro navio, o vapor Minas, que partiu da Itália no dia 10 de janeiro de 1902 e chegou no Brasil no dia 3 de fevereiro. No finalzinho desta lista de bordo, encontramos o nome da Luigia, com as anotações de que ela era agregada a outra família, que estava a bordo do vapor Rio Amazonas, mas que havia perdido o embarque.

Parecia que Luigia tinha vindo sozinha para o Brasil, mas isso não era verdade, pois a bordo do mesmo navio estava Carmine Cocciadiferro. As preciosas anotações do caderninho de sua neta nos revelam que Luigia fugiu com o Carmine para se casar aqui no Brasil. Dizem até mesmo que eles se casaram a bordo e quem celebrou o matrimônio foi o capitão do navio.

Carmine também não estava só. Ele veio acompanhado do seu irmão Achille Cocciadiferro, seu tio, sua tia e alguns primos. Estes parentes do Carmine passaram um tempo no Brasil, depois na Argentina, mas acabaram retornando para a Itália.

Ao desembarcarem no Brasil, temos conhecimento que Luigia e Carmine foram para Tambaú, SP, fazenda do Sr. João Souza Meirelles. Este fato me fez acreditar que ela teria parentesco com Massimiliano e Alessandro Ferramosca, que haviam se mudado recentemente para Tambaú, mas isso não passou de uma grande coincidência.

Alguns documentos indicam que o casamento deles foi oficializado em Tambaú, porém até o momento este registro não foi encontrado. Então pode ser realmente verdade que eles tenham se casado no navio, a caminho do Brasil.

Pouco tempo depois eles se mudam para Descalvado, onde os pais da Luigia já estavam morano. No ano de 1904 nasce Maria Cocciadiferro, a primeira filha do casal. Luigia e Carmine viveram muitos anos na fazenda São Rafael e fazenda Palmeiras, onde tiveram 10 filhos: Maria, Catharina, Joseppina, Antonia, Antonio, Dimmer, Desmares, Armando, Alvaro e Clarice, todos já falecidos, o que dificulta muito decifrarmos os mistérios sobre a história deles no Brasil.

Outra curiosidade sobre a Luigia é que ela era conhecida aqui no Brasil por Luiza ou também Anna Luiza. Segundo sua neta, parece que Anna era um nome carinhoso. Inclusive, em alguns documentos mais antigos ela aparece ora como Anna Falconieri, ora como Anna Fieramosca, mas são sempre a mesma pessoa.

Carmine veio a falecer em 1937 no distrito de Casa Verde, São Paulo, SP, sendo sepultado no Cemitério Chora Menino, onde sempre era visitado pela sua esposa. Quanto a Luigia, até o momento não sabemos quando e onde faleceu.

 

3. Maria Ferramosca e a família Modena no Brasil

Maria Ferramosca foi provavelmente a primeira Ferramosca que veio para o Brasil. Ela nasceu na Itália, por volta do ano de 1829, e se casou com Valentino Modena. Temos conhecimento que eles tiveram pelos menos 6 filhos, todos nascidos no comune de Carmignano di Brenta, Província de Padova (ou Pádua). São eles: Angelo, Antonio, Maria Teresa, Luigi, Luigia e Orsola.

Ao analisarmos os documentos de Carmignano di Brenta, Valentino Modena aparece como testemunha nos registros de alguns Ferramosca, e estes, como testemunhas do óbito das filhas de Valentino. Estes Ferramosca têm parentesco com Alessandro e Massimiliano, que vieram para o Brasil, por isso acredito que a Maria tenha algum parentesco com eles.

No ano de 1876, Valentino e as filhas Luigia e Orsola faleceram em Carmignano. Anos depois Maria Ferramosca e seus 4 filhos mudaram-se para o comune de Piovene Rocchette, província de Vicenza.

Em Piovene, no ano de 1886, Angelo Modena casou-se com Eufemia Rossi, tiveram um filho e o batizaram com o nome do avô Valentino Modena. No ano seguinte, em 1887, Maria Teresa Modena casou-se com Antonio Fantinato.

Em 1888 a família planejou a vinda para o Brasil e se dividiu. O primeiro grupo desembarcou no Brasil em 21 de fevereiro de 1888:

- Angelo Modena (filho da Maria Ferramosca) e Eufemia Rossi (esposa do Angelo)

- Antonio Modena (filho solteiro da Maria Ferramosca)

- Antonio Fantinato (esposo da Maria Teresa Modena)

Meses depois o restante da família partiu da Itália a bordo do vapor Cachar e desembarcou no Brasil no dia 23 de novembro de 1888:

- Maria Ferramosca (viúva de Valentino Modena)

- Maria Teresa Modena (filha da Maria Ferramosca), cujo esposo veio antes para o Brasil

- Luigi Modena (filho solteiro da Maria Ferramosca)

- Valentino Modena (o filho de Angelo e Eufemia, que vieram antes para o Brasil)

No Brasil a família viveu os primeiros anos em São Paulo, capital. Poucos anos depois mudaram-se para a região de Mogi Guaçu, Mogi Mirim e Araras, onde até hoje encontramos a maioria dos seus descendentes.

Além do Valentino, que nascera na Itália, Angelo Modena e Eufemia Rossi tiveram pelo menos mais 5 filhos no Brasil: João, Francisco, Angelo, Isabel e Antonio.

Maria Teresa Modena e Antonio Fantinato, que haviam se casado na Itália, tiveram pelo menos 10 filhos, todos nascidos aqui no Brasil: Ida, Amelia, Natalia, Basilio, Veronica, Maria, Olga, Emilia, Isabel e João.

Vejam só esta foto e uma matéria de jornal espetacular que achei no facebook...

 

Foto preta e branca de homens posando para foto

Descrição gerada automaticamente
Teresa Modena e Antonio Fantinato (Foto de 25/4/1935)
Fonte: Facebook (Mogi Guaçu: Imagens e textos de qualquer época)
https://web.facebook.com/groups/389660894414713/)

 

Imagem em preto e branco com texto preto sobre fundo branco

Descrição gerada automaticamente
Bodas de Ouro de Antonio Fantinato e Teresa Modena (Jornal de 16/10/1937)
Fonte: Facebook (Mogi Guaçu: Imagens e textos de qualquer época)
https://web.facebook.com/groups/389660894414713/)

Luigi Modena casou-se no Brasil com Rosa Frezzatto e tiveram pelo menos 12 filhos: Valentino (falecido criança), Maria, Valentim, Luisa, Angelo, Amelia (falecida criança), Natália, José, Abilio, Armando, Ida e Izabel.

Quanto ao Antonio Modena, ainda não localizamos seus descendentes, então é possível que tenha falecido solteiro.

No ano de 1916, em Mogi Guaçu, veio a falecer Maria Ferramosca, a matriarca da Família Modena no Brasil, deixando para seus descendentes esta belíssima história, que só foi desvendada em março de 2022. Graças aos maravilhosos portais da internet (Antenati, Family Search, Museu da Imigração, Arquivo de Estado de Vicenza e Padova) que disponibilizaram novos documentos da Itália, foi possível construir a história e a trajetória desta família no Brasil.

 

4. Eugenio Fieramosca

Eugenio Fioramosca é natural da região da Calábria, mas acredito que seu sobrenome original seja Fieramosca, uma vez que a grafia Fiora não está presente na Itália. Eugenio já é falecido, então quem nos contou esta história foi sua esposa Maria Pizzini Fioramosca.

A história desta família tem origem na região da Calábria. Maria nos relata que, se pesquisarmos na internet sobre o Convento São Francisco de Paula e Maria de Fuscaldo, encontraremos a cidade exata de onde eles vieram. Então é possível que esta família seja proveniente do comune de Fuscaldo, província de Cosenza, porém isso ainda não foi confirmado.

Salvatore Fieramosca, pai do Eugenio, era na verdade um filho adotivo e recebeu o mesmo sobrenome do seu pai Gioacchino Fieramosca. Gioacchino e sua esposa Maria tiveram 3 filhas e perderam um filho ainda bebê. Foi quando eles resolveram adotar uma criança, no caso o Salvatore. Os pais biológicos de Salvatore chegaram a procurá-lo e o encontraram, porém ele preferiu ficar com os pais que o criaram.

Salvatore se casou na Itália com Angelina Pesce, que coincidentemente também era adotiva, e tiveram pelo menos dois filhos, Carlos Fioramosca e Eugenio Fioramosca.

A primeira pessoa que veio para o Brasil foi Assunta Fioramosca, irmã do Salvatore, que era casada com Domenico Martino. Foi Domenico quem deu uma passagem de navio para o Eugenio Fioramosca vir para o Brasil e fugir da guerra.

Sobre Carlos Fioramosca, irmão do Eugenio, sabemos apenas que tem um filho também chamado Salvatore, porém vivendo na Alemanha.

Eugenio Fioramosca faleceu no Rio de Janeiro, RJ, no ano de 2003, deixando esposa, filhas e netos.

angela_filhos
Descendentes de Eugenio Fioramosca no Brasil

 

5. Os irmãos Francesco e Giovanni Fieramosca

A história dos irmãos Francesco Fieramosca e Giovanni Fieramosca começa na Itália, região da Sicília, onde o pai deles, Ettore Fieramosca, nasceu no ano de 1902, comune de Siculiana, província de Agrigento.

De acordo com seu registro de nascimento, Ettore foi vítima de um daqueles tristes casos de abandono ao nascer, fato muito comum naquela época. As autoridades então lhe impuseram o nome de Ettore Fieramosca, provavelmente devido ao famoso herói da Itália.

Veja este artigo interessante sobre a “ruota dei proietti” e o registro de crianças abandonadas na Itália: https://diariodacidadaniaitaliana.com/2020/09/16/registros-antigos-de-criancas-abandonadas/.

Ainda em Siculiana, Ettore casou-se no ano de 1922 com Giovanna La Gambina, filha de filha de Calogero La Gambina e Giuseppa Sutera. Eles tiveram pelo menos quatro filhos, entre eles Francesco, nascido em 1927, e Giovanni, nascido em 1938.

Francesco Fieramosca foi o primeiro a vir para o Brasil. Ele desembarcou em Recife-PE no dia 24 de março de 1957, constando em seu cartão de imigração que ele fora residir em Belém, PA. No fim do mesmo ano Giovanni Fieramosca desembarcou também em Recife no dia 31 de dezembro de 1957, constando em seu cartão de imigração que ele veio a chamado do irmão Francesco e foi posteriormente residir no Ceará.

Aqui no Brasil eles se casaram e seus descendes vivem atualmente em São Luiz do Maranhão e no Rio de Janeiro.

cartão Francesco Fieramosca 1  cartão Giovani Fieramosca 1
Os irmão Francesco e Giovanni Fieramosca

 

giovanna   francesco_adelaide_giovanna   silvana
Descendentes de Francesco e Giovanni no Brasil

 

6. As irmãs Luigia e Felicia Fieramosca, e as famílias Lotumolo e Pescuma

A história desta família começa no comune de Maschito, província de Potenza, Itália, onde seu patriarca Ettore Fieramosca nasceu no dia 29 de novembro de 1847. Segundo seu registro de nascimento, trata-se de mais um caso de infeliz abandono ao nascer, tendo sido batizado pelas autoridades como Ettore Fieramosca, em alusão ao famoso herói italiano.

Ettore casou-se no ano de 1871 com Rosa Maria Teora, no comune de Venosa, distante apenas 7 km de sua cidade natal. Em Venosa eles tiveram 9 filhos, mas apenas 3 mulheres viveram, cresceram e se casaram: Rosa Maria Felicia Fieramosca, ou simplesmente Felicia, nascida em 1874; Anna Fieramosca, nascida em 1889; e Luigia Fieramosca, nascida em 1892.

Ainda em Venosa, no ano de 1889, Felicia Fieramosca casou-se com Emmanuele Pescuma e tiveram 5 filhos nascidos na Itália. Duas de suas filhas morreram ainda bebês, ambas batizadas pelo nome de Antonia. Os outros três filhos eram Angelica Maria Pescuma, nascida em 1891, Rocco Pescuma, nascido em 1895, e Elena Pescuma, nascida em 1901.

No ano de 1897, em Venosa, veio a falecer Ettore Fieramosca, o patriarca da família, deixando esposa, filhas e netos. Um pouco antes disso, no ano de 1895, os pais e irmãos de Emmanuele Pescuma vieram para o Brasil, onde se estabeleceram em uma fazenda no município de Ribeirão Bonito, SP.

Foi então que no ano de 1901 a família imigrou também para o Brasil para se juntar aos pais de Emmanuele. Eles partiram no dia 25 de setembro de 1901, a bordo do vapor Washington, e desembarcaram no Porto de Santos no dia 17 de outubro, numa viagem que durou cerca de 22 dias. Nesta viagem estavam:

- Rosa Maria Teora (viúva de Ettore)

- Luigia Fieramosca (filha solteira)

- Felicia Fieramosca (filha casada) e Emmanuele Pescuma (esposo da Felicia)

- Angelica, Rocco e Elena Pescuma (filhos da Felicia e Emmanuele)

Já em terras brasileiras, todos foram então para a fazenda de Rocco Pescuma, pai de Emmanuele, localizada na cidade de Ribeirão Bonito-SP. Rosa Maria Teora, a matriarca da família, é provável que tenha falecido aqui mesmo no Brasil, porém até o momento não encontramos mais informações sobre ela.

 

6.1. Trajetória de Anna Fieramosca

Anna Fieramosca, filha de Ettore e Rosa Maria, curiosamente não veio para o Brasil. Até o momento não sabemos quais motivos levaram uma criança de apenas 11 anos a permanecer na Itália e não acompanhar sua mãe e irmãs numa longa e permanente jornada para o Brasil.

Sabemos que em Venosa ela se casou com Rocco Tamburriello, no ano de 1905, com apenas 15 anos de idade. Deste matrimônio nasceram pelo menos 9 filhos, que infelizmente, morreram ainda crianças.

Anna faleceu precocemente em 1927, com apenas 37 anos de idade.

 

6.2. Felicia Fieramosca

Aqui no Brasil, Emmanuele era conhecido por Manoel Pescuma. Além dos três filhos nascidos na Itália, ele e a Felicia tiveram mais dois filhos aqui no Brasil: Antonio Pescuma, nascido em 1904 no município de Boa Esperança (atual Boa Esperança do Sul), e Antonietta Pescuma, nascida em 1906 no município de Ribeirão Bonito.

Alguns anos depois toda a família se mudou definitivamente para o município de São Carlos, SP, onde seus filhos se casaram e seus netos também nasceram.

Angelica Maria Pescuma casou-se com Tomaso Grosso e tiveram pelo menos 10 filhos: Felicia, Palma Maria, Roque, Manuel, Maria Antonia, Aparecida, Antonio, Maria Atonia, João e Nelson.

Rocco Pescuma casou-se com Elisa Gonçalves Pereira Bueno e tiveram pelo menos 4 filhos: Rosa Maria, Manoel, Angelica e Eliza Elza.

Elena Pescuma casou-se com José Lourenço e tiveram pelo menos 5 filhos: Maria, Pedro, Waldomiro, Alzira e Lourdes.

Antonio Pescuma casou-se com Amalia Neves e tiveram pelo menos uma filha, chamada Benvinda.

Antonietta Pescuma casou-se com Francisco Bilotti e tiveram apenas 2 filhas: Anna e Felicia.

Felicia veio a falecer em São Carlos, no dia 25 de agosto de 1935, aos 61 anos de idade. Seu esposo Manoel Pescuma casou-se novamente no mesmo ano com outra viúva.

 

6.3. Luigia Fieramosca

A caçula Luigia Fieramosca veio a se casar em São Carlos, SP, no ano de 1911, com o também italiano Eduardo Lotumolo e tiveram 12 filhos, todos nascidos em São Carlos: Donato, Theodora, Antonio, Roque, João, Apparecido (falecido criança), José, Ettore, Mario (falecido criança), Rosa, Mario e Anna.

São muitos os descendentes desta imensa família e a grande maioria vive no Estado de São Paulo. A história da Família Lotumolo começa também em Venosa e o ancestral mais antigo e conhecido viveu no século XVIII e chamava-se Rocco Lotumolo. Seu filho, neto e bisneto são, respectivamente, Teodoro, Nicola e Donato. Este último é o pai de Eduardo Lotumolo.

Donato Lotumolo era casado com Teodora Divietro e tiveram 7 filhos na Itália, dos quais apenas 2 viveram: Eduardo Lotumolo, nascido em 1889, e Caterina Lotumolo, nascida em 1892. Teodora faleceu no ano de 1894 e Donato casou-se novamente em 1895 com Vita Maria Dittomaso, que também era viúva de Giuseppe Digrisolo, que falecera em 1891, e tinham um filho chamado Donato Digrisolo. Deste casamento entre Donato Lotumolo e Vita Maria Dittomaso nasceu Maria Nicola Lotumolo no ano de 1896.

A família embarcou no Porto de Genova, Itália, no dia 31 de dezembro de 1900, a bordo do vapor Minas, e chegou no Porto de Santos, Brasil, no dia 21 de janeiro de 1901. Nesta viagem estavam:

- Donato Lotumolo e Vita Maria Ditommaso

- Maria Nicola Lotumolo (filha de Donato e Vita Maria)

- Eduardo Lotumulo e Caterina Lotumolo (filhos do Donato com a 1ª esposa Teodora Divietro)

- Donato Digrisolo (filho da Vita Maria com o 1º esposo Giuseppe Digrisolo)

De acordo com o registro na Hospedaria de Imigrantes, o primeiro destino da família foi provavelmente o município de Cerqueira Cesar, SP, porém ainda não encontramos documentos que possam confirmar essa breve passagem pela cidade.

No ano de 1908 encontramos a primeira evidência de que a família Lotumolo residia no município de São Carlos, SP, ano este em que Caterina Lotumolo casou-se com Marcantonio Sposito. Em São Carlos eles tiveram pelo menos 6 filhos: Gesidio, Elizabeta, Donato, Josephina, Hermelinda e Antonio.

No ano de 1912, ainda em São Carlos, Donato Digrisolo casou-se com Angela Maria Parravano, e tiveram pelo menos 7 filhos: Anna, Magdalena, Apparecida, José, Natalina, Roque e Rosa.

Um ano antes, como já sabemos, Eduardo Lotumolo já havia se casado com Luigia Fieramosca. E esta é uma foto histórica do Eduardo e Luigi casal com 9 dos seus filhos, faltando apenas a Anna, que na época ainda não tinha nascido.

Foto em preto e branco de grupo de pessoas posando para foto

Descrição gerada automaticamente
A Família Lotumolo no Brasil (aproximadamente 1931)
Eduardo Lotumolo, Luigia Fieramosca e os filhos Donato, Theodora, Antonio, Roque, João, José, Ettore, Rosa e Mario (Obs: a filha Anna ainda não era nascida)

 

7. Carmelo Fieramosca

Carmelo Fieramosca nasceu no ano de 1849, comune de Eboli, província de Salerno, Itália. Segundo seu registro de nascimento, trata-se de mais um caso de abandono ao nascer, portanto seus pais são ignorados. No ano de 1876, Carmelo casou-se em Padula, província de Salerno, com Maria Trezza Brigante, onde tiveram dois filhos: Francesco Antonio Vito Fieramosca, nascido em 1877, e Maria Carmela Fieramosca, nascida em 1879.

Carmelo foi o primeiro a vir para o Brasil. Antes mesmo da sua filha Maria Carmela nascer, ele partiu sozinho da Itália no dia 16 de maio de 1879, a bordo do vapor Savoie, e desembarcou no Rio de Janeiro no dia 5 de junho de 1879.

Somente um ano depois sua esposa e seus filhos vieram para o Brasil. Maria e os filhos Francesco e Carmela partiram da Itália no dia no dia 14 de setembro de 1880, a bordo no vapor La France, e desembarcaram no Rio de Janeiro no dia 4 de outubro de 1880, para se encontrar com Carmelo.

Maria Trezza Brigante veio a falecer no Brasil e então Carmelo Fieramosca casou-se novamente com a italiana Filomena Arpino, onde no município de Barra do Piraí, RJ, encontramos os primeiros registros de nascimento de duas filhas do casal: Agueda Clara Fieramosca, nascida em 1891, e Regina Fieramosca, nascida em 1892.

Maria Carmela Fieramosca, conhecida apenas como Carmélia Fieramosca no Brasil, casou-se no ano de 1894, na Barra do Piraí, com Francisco Silverio Grego. Acredito que a relação da Filomena com seus enteados era tão próxima, que no matrimônio da Carmélia, ela declara como sendo sua mãe a própria Filomena Arpino e não a Maria Trezza Brigante.

Carmela e Francisco tiveram pelo menos um filho chamado Alcindo Fieramosca Grego, nascido no ano de 1895. Alcindo era telegrafista e seu nome é citado como integrante da famosa Comissão Rondon, cujo objetivo era reconhecer e ocupar uma parte ainda desconhecida do território brasileiro, implantar linhas e postos telegráficos pelo interior do país.

Anos depois, a família se muda para o município de Cruzeiro, SP, onde encontramos até hoje a maioria dos seus descendentes. Nesta cidade, no ano de 1908, Regina Fieramosca casou-se com Angenor Nardy Fernandes Lima, onde tiveram pelo menos 5 filhos: Zilda, Carmélia, José, Ruth e Solange.

Quanto a Francesco Antonio Vito Fieramosca e Agueda Clara Fieramosca, até o momento não temos informações, pois os registros deles ainda não foram localizados.

No ano de 1930, Carmelo Fieramosca, o patriarca da família, veio a falecer no município de Cruzeiro. Alguns anos depois, em 1932, Filomena Arpino, sua esposa, também faleceu no mesmo município.